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“A casa da JMJ”: A diocese de Évora foi a primeira a conhecer a sede oficial da Jornada Mundial da Juventude

Escondida entre as ruas íngremes e de pedra da calçada está uma grande área gradeada e com vários edifícios, na zona do Beato, em Lisboa. Para os olhos mais distraídos, parece apenas uma instalação militar. Mas ao fundo, avistam-se três bandeiras que anunciam o maior encontro de jovens do mundo em 2023.
Estamos na Travessa Grilo, naquela que é, agora, a sede da Jornada Mundial da Juventude. O espaço onde o Comité Organizador Local (COL) reúne e discute todos os pormenores relativos a este evento, abriu portas aos jovens no dia 2 de abril e a primeira diocese a conhecê-lo foi Évora. Mais de cinco dezenas de jovens de vários grupos de jovem e movimentos da diocese alentejana rumaram à capital para conhecer o local onde está a cabeça do planeamento do encontro mundial.
Na visita organizada e orientada pelo Departamento Pastoral Juvenil de Évora (DPJÉ), os jovens puderam contar com a presença do Bispo Auxiliar de Lisboa D. Américo Aguiar, que celebrou Eucaristia no início da manhã. A capela é simples e sem bancos. O objetivo é que o foco seja Jesus e o altar. Aos jovens, o Bispo explicou que uma jornada é uma caminhada que não se faz individualmente, mas sim com os outros que estão a nosso lado, afirmando que caminhar ao lado de Jesus e em Sua direção é um caminho que vale a pena.
Em ambiente de festa, alguns membros do COL que estavam presentes apresentaram aos visitantes “a casa da JMJ”, como foi carinhosamente apelidada. Na grande área em que a sede se insere, algumas zonas e edifícios ainda são exploradas pelo exército português. Por sua vez, um outro edifício tornou-se agora um novo espaço para os Bombeiros de Lisboa. Mas o edifício onde se encontra a sede está inteiramente à responsabilidade do COL.
“Desculpem a confusão… Ainda há algumas zonas aqui no edifício em obras ou a ser pintadas”, explica um dos guias. “Este edifício já não devia ser usado pelos militares há muito tempo porque estava mesmo muito danificado. Agora estamos a trabalhar para o melhorar”, acrescentou.
O edifício da sede divide-se em três pisos, sendo o último aquele onde ficam os espaços de convívio e maior proximidade. É neste piso que se situa também a capela, espaço central por onde todos têm que passar, mesmo que não queiram. À porta está uma imagem “especial e muito difícil de obter”, explica D. Américo, referindo-se à imagem de Nossa Senhora da Visitação. Nesta, é possível ver Maria, apenas, e não “o habitual: Maria e Isabel”, explica o bispo.
Em cada corredor os membros da organização têm disposto no teto inúmeras bandeiras. O objetivo é ter representados o máximo número de países, para que “todos se sintam acolhidos”. Os restantes pisos do edifício contam com inúmeras salas, desde salas de reunião a salas dedicadas à “expansão pastoral”, salas para o departamento de comunicação, salas dedicadas às finanças e as salas da direção (onde D. Américo trabalha diariamente).
Um dos espaços que mais desenvolvimento terá nos próximos dias será o “call center”, um espaço de apoio aos peregrinos. Ali “serão atendidas chamadas de todo o mundo e daremos resposta a todas as dúvidas: como faço a minha inscrição? Onde é que vou dormir? Como pago? O que devo fazer se precisar de ir ao hospital? No fundo, iremos esclarecer todos aqueles que precisarem disso”, explica o guia.
No sábado em que a diocese de Évora visitou o espaço, este encontrava-se vazio (à parte das cerca de seis pessoas que acompanharam a visita dos jovens). Seguindo o guia “a maioria das pessoas está a trabalhar enquanto trabalha para a JMJ. Portanto à noite é quando o espaço mexe mais. Além disso, ainda fazemos muito trabalho remoto, que é mais fácil e seguro”.
Sara Conde, membro do grupo de jovens de Reguengos de Monsaraz, esteve presente na visita. “Fui bastante surpreendida pela positiva. Foi fascinante perceber toda a logística que já acontece, porque nenhum de nós tem muita noção nisso. Tudo está pensado para que estas jornadas sejam um sucesso, desde a comunicação, às inscrições! Fiquei surpreendida pela quantidade de pormenores que estão a ser tidos em conta e que na verdade serão muito importantes, como por exemplo, garantir que todos os peregrinos terão alimentação e transporte”, partilhou.
Apesar de todo o trabalho que está a ser desenvolvido, nos próximos cerca de 400 dias em falta até à JMJ, “ainda há muito a fazer”, afirmam os membros do COL, acrescentando que “falta pouco tempo” e que é necessário começar a integrar voluntários nas equipas e iniciar as formações dos mesmos.
Com o objetivo de apresentar muitas das coisas que estão a ser tratadas e explicar qual a dimensão deste encontro que irá acontecer em 2023, os membros do COL levaram a cabo uma apresentação aos jovens. Durante cerca de uma hora foram discutidos pormenores teóricos, mas também aspetos mais práticos. “Um assunto que é sempre importante, mas do qual ninguém fala são as casas de banho. Para terem uma noção, durante a JMJ, no espaço onde estaremos todos reunidos para a vigília, terão que existir 17.000 casas de banho”, afirmou o membro que participa em jornadas desde 2000.
Para dar uma “ideia mais visual” da quantidade de pessoas esperadas na semana de agosto de 2023, os membros do COL estabeleceram uma comparação com vários festivais e encontros de jovens. O encontro onde mais jovens estiveram reunidos foi a JMJ de Madrid, em 2011. Na capital espanhola estiveram reunidos cerca de dois milhões de jovens, “número que talvez venha a ser batido em Portugal”, explicaram os responsáveis.
“Sendo também membro da DPJÉ, confesso que a vontade que chegasse o dia desta visita foi crescendo gradualmente! Os dias da Jornada estão cada vez mais perto e esta visita fez me perceber que a JMJ vai muito mais além do 1 ao 6 de agosto de 2023. É necessário criar equipas em todo o país que trabalhem em conjunto para um único objetivo: o sucesso da JMJ Lisboa 2023”, conta Sara.

Há um caminho espiritual e “um caminho terreno, com decisões e objetivos, a ser feito”

O local onde quase 20.000 casas de banho serão construídas chama-se Parque Tejo. O espaço tem cerca de 90 hectares, é a maior zona verde do Parque das Nações e é uma das mais ricas em biodiversidade. Aí todos os jovens se irão reunir para celebrar com o Papa.
Tendo em mente a importância desse lugar, foi para lá que se dirigiram os visitantes da sede.
Com o objetivo de conhecer o lugar e perceber que até 2023 há um longo percurso pela frente, os jovens tiveram um momento de reflexão a pares. Perguntas como “quão forte é o teu Sim para esta caminhada” e “o que pode a JMJ trazer à tua vida” foram feitas, pensadas e respondidas, fortalecendo o espírito de grupo e ajudando na preparação desde encontro.
No encontro que terá o tema “Maria levantou-se e partiu apressadamente” (Lc 1, 39), os vários jovens reunidos no Parque Tejo voltaram a casa com um desafio importante: levar os grupos de jovens, paróquias e diferentes movimentos a conhecer a sede e o espaço que marcará o coração de todos nós.
Para a jovem de Reguengos de Monsaraz, este desafio é pedra-angular para o crescimento e amadurecimento do grupo de jovens da cidade.
“Para além do caminho espiritual que é necessário ser feito por cada um de nós, há também um caminho terreno, com decisões e objetivos a ser feito! Seria muito bom que nós [jovens] nos juntássemos e organizássemos uma visita à sede enquanto grupo, não só para todos perceberem e viverem o que eu vivi, mas também no sentido de darmos passos em grupo”, partilha. ◄

Reportagem publicada no Jornal PALAVRA, edição de abril de 2022