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A falta de intervenção e ‘deficiente’ informação sobre o processo de transição para a televisão digital terrestre em Reguengos de Monsaraz

Desde 2011 que alguns meios de comunicação (Correio da Manhã, Sapo, TSF etc) têm vindo a anunciar a chegada do apagão da televisão analógica, ou por outras palavras, a transição para a televisão digital terrestre (TDT). Segundo as notícias que recolhi sobre o tema, desde 2011 que a transição do analógico ao digital entrou em vigor sendo que o processo de implementação foi administrado em diferentes fases em Portugal Continental e Regiões Autónomas. A julgar pelo site da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, em Reguengos o processo começou mais tarde, pois a primeira notícia que encontrei a respeito deste tema foi a dezasseis de março de 2020 dando a conhecer que a 23 de janeiro de 2020 foi realizada uma reunião entre a ANACOM – Autoridade Nacional de Comunicações e a CIMAC – Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central, cuja agenda de trabalhos incidia sobre a alteração na rede de emissores de Televisão Digital Terrestre (TDT), com a introdução do 5G em Portugal. Esta foi a única notícia oficial sobre a implementação da TDT no Alentejo que encontrei no site da Câmara Municipal de Reguengos e para além de esta notícia encontrei apenas uma publicação na página do Facebook da Câmara de Reguengos avisando que ‘desde o dia 24/03/2022, o sinal digital de TV em substituição do anterior sinal analógico de TV (…) Para as televisões mais antigas deverão instalar um conversor analógico – digital (como para a TDT) e de seguida sincronizar os seus canais’. Devo enfatizar que a Deco foi a única entidade a denunciar a falta de informação sobre televisão digital. Desconhecemos o motivo pelo qual a reunião se deu em 2020 com a ANACOM e só a 23 de março de 2022 ocorreu a substituição do sinal analógico para o digital porque não consta no site da Câmara nem noutro site ou cartaz físico.
Não sou especializada em Marketing, mas devo dizer que um cartaz na praça informaria muito mais pessoas, pois não realizei nenhum estudo de mercado, mas tenho a certeza que a maioria da população com televisões analógicas são idosos e a maioria deles analfabetos e sem acesso à triste publicação na página do Facebook da Câmara a 31 de março de 2022 a avisar que o processo começava a 24 de Março de 2022 (no passado), portanto não só falharam a nível de transmissão da informação como também fizeram confusão com as datas. Não sei se as pessoas responsáveis pela transmissão de informação acerca da TDT, provavelmente refiro-me a uma equipa técnica inexistente, sabe o sofrimento que esta migração do analógico para o digital está a causar aos idosos que estão sozinhos entre quatro paredes e a única companhia que têm é a uma televisão que se apagou a meio da semana e ninguém sabe a razão. Eu soube da notícia através de uma idosa, a qual me disse que no bairro dela as televisões não funcionavam, um género de nicho para avaria de televisões (pensei eu sem fazer sentido nenhum); o qual me foi confirmado mais tarde por uma pessoa da família com mais literacia digital que as televisões não estavam avariadas só naquele bairro, mas que todas as televisões antigas deixaram de funcionar devido à transição digital e que a única solução seria comprar um conversor analógico-digital no valor de 43 euros. Informei a idosa de que a situação era essa, a idosa, entretanto, já tinha recebido essa informação da ‘vizinhança’, a idosa comprou o aparelho, mas agora não tem quem lhe o instale, porque o comprou na Worten e pelos vistos o senhor responsável pela manutenção e instalação destes aparelhos não se responsabiliza por produtos comprados na Worten.
Acredito que com uma equipa técnica de intervenção e com uma divulgação de informação mais ajustada não haveria problemas e ninguém se aproveitaria da desgraça daqueles que estão sozinhos em casa a olhar para quatro paredes com um aparelho por instalar e uma televisão sem funcionar. ◄

  • Publicado no Jornal PALAVRA, edição de abril 2022