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A importância de um plano

Vem isto a propósito do Plano de Recuperação e Resiliência que se encontra em discussão publica e discussão acessória no espectro mediático e ao qual, de forma humilde já dei uma pequena contribuição à alguns meses, se bem me lembro qualquer coisa/ideia como a necessidade de fazer uma monitorização à aplicação desse plano utilizando princípios da Prospetiva ou seja tendo a capacidade de antecipar cenários e de adaptação à forma como o contexto nacional / internacional se irá alterando, contribuição que tive a confirmação que foi recebida, resta a curiosidade de perceber se será ou não considerada.
Haveria a possibilidade de ir agora para várias analises possíveis sobre esta questão, mas confessando-me pouco inspirado, poderei dizer que é importante que (finalmente) um Governo pense uma estratégia de longo prazo para o País, orgulha-me obviamente que seja um Governo Socialista que o faça, mas se não o fosse, daria igual mérito pela iniciativa.
Quando refiro finalmente, digo-o porque o percurso do planeamento em Portugal tem sido um percurso lento no sentido do abandono da ideia de romantismo e idealismo da realização de planos para ficarem inevitavelmente na prateleira para uma constatação da necessidade de, num primeiro momento, se fazer um plano e num segundo momento da necessidade efetiva de o implementar para que um plano não sejam apenas palavras vazias numa folha de papel.


Sem querer entrar na análise profunda do documento destaco apenas que pretende estruturar uma retoma baseada num “crescimento sustentável e inclusivo”e que “ se estrutura em três dimensões – a resiliência, a transição climática e transição digital”, aspetos claramente ( e bem ) alinhados com as prioridades da Comissão Europeia para os próximos anos.
Apesar de já ter lido várias vezes o documento, dispenso uma análise mais técnica / burocrata do documento que seria provavelmente desinteressante e penosa para o leitor, retenho obviamente as suas virtudes e os seus constrangimentos, as boas ideias e os conteúdos que entendo como bem conseguidos, que são vários e interessantes mas também as pequenas alterações que faria como já referi anteriormente por exemplo no capitulo da monitorização da implementação do plano ou da possibilidade (ausente neste plano) da criação de sub-estratégias regionais do PRR ou seja de Planos Regionais que garantissem a sua aplicação e impactos em todas as zonas do país e não apenas nas sobejamente conhecidas abordagens nos grandes centros populacionais e também na visão litorialista do desenvolvimento que os Governos normalmente possuem, lamento ir para a discussão já com este preconceito mas é inevitável, gostaria muito de ser desmentido pela realidade nos próximos anos, a ver vamos.
Fica também o registo de que não existem planos perfeitos, o importante é a atitude e a mentalidade de perceber que é necessário fazê-lo e que só partindo das melhores ideias se chega ao tal desenvolvimento (acho preferível á palavra crescimento porque inclui mais dimensões) sustentável, inclusivo e já agora efetivo, sem um plano, sem um projeto o que podemos propor às pessoas senão apenas a gestão administrativa dos territórios?
Fica também a nota caricata de ver no espaço mediático algumas criticas a este plano vindas de quem nunca fez nenhum e podia e devia ter feito.
O mais importante é sempre a importância de ter um Plano.◄

 

  • Publicado no Jornal PALAVRA, edição de março 2021