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Agricultura intensiva põe em causa o acesso à água, dizem investigadores da UÉ

Investigadores da Universidade de Évora (UÉ) foram ouvidos pela Comissão de Agricultura e Mar da Assembleia da república sobre a gestão dos recursos naturais do Alentejo.

Em causa esteve particularmente a água como recurso escasso na região e o aumento da agricultura intensiva no Alentejo. De acordo com os investigadores da UÉ, Teresa Pinto-Correia, Mário de Carvalho, Ricardo Serralheiro do MED (Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento) e António Chambel do ICT (Instituto de Ciências da Terra) “o progressivo aumento da agricultura intensiva no Alentejo tem vindo a pôr em causa a sustentabilidade e equidade no acesso à água, recurso precioso numa região em que é tão escassa” sendo, por isso, “urgente trazer à discussão, principalmente dos decisores políticos, estas questões e propor medidas com base no conhecimento científico, que contribuam para uma melhor gestão dos recursos naturais na região do Alentejo”.

Como propostas apresentaram a criação de “pequenos regadios dispersos em toda a superfície agrícola útil, através da facilitação e apoio à construção de pequenas barragens e estruturas de captação” e ainda a redução dos incentivos “a sistemas agrícolas desajustados das condições produtivas reais, ajustando o preço da água de rega nos regadios públicos aos custos reais”.

Para além disso entendem necessário “acautelar o uso dos recursos em água mais estratégicos, através da melhoria efetiva de um sistema de monitorização dos níveis das águas subterrâneas” foi outras das medidas propostas, indicando-se ainda a necessidade de se “manter a heterogeneidade da paisagem e diversidade biológica, suporte do equilíbrio dos ecossistemas, através da avaliação ex-ante e medidas de mitigação para mudanças de uso do solo agrícola com impacte territorial”.

Os investigadores da UÉ insistiram na necessidade de “mitigar o impacte de transformações da ocupação do solo em muito grandes extensões sem nenhuma fragmentação” e a necessidade de “apoio técnico, próximo e independente, aos produtores e de ser realizada uma Avaliação Ambiental Estratégica antes de serem efetuadas alterações de ocupação do solo significativas, sobretudo em áreas ocupadas por sequeiro-regadio” refere a nota da UÉ.