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Antes, durante e depois de um ato eleitoral

Muito poderíamos escrever ou pensar a propósito de um tema como este. Embora, por vezes receie que haja cada vez menos palavras, pensamentos e propósitos em função de um dos maiores atos cívicos de toda a humanidade.
Não teceria nunca comentários sobre as opções de voto individuais, não é esse o objetivo deste artigo nem me fará sentido partilhar, publicamente opiniões a cerca do tema uma vez que, independentemente do que cada um possa pensar, gozamos do direito à liberdade e neste direito especificamente está contemplada a liberdade de escolha.
Ainda assim, escrevo este artigo a pensar na forma como este exercício pleno de cidadania está intimamente ligado com os valores mais basilares da vida humana e os direitos fundamentais dos seres humanos. Quando falamos em seres humanos, estamos a falar do todo e de cada um em particular, por igual direito, pese embora, as várias dinâmicas sociais e modus de vida nos façam às vezes perceber que vivemos em circunstâncias muito distintas e desiguais.


Escrever sobre este tema leva-me sobretudo a pensar nos princípios fundamentais que nos levam a tomar posição enquanto cidadãos ativos e conscientes, quer perante uma candidatura eleitoral na qual “eu” dou a cara por um partido, quer diante de uma mesa de voto na qual me manifesto enquanto votante.
Vejamos o que me parece por demais importante pensar – no que está na base da formulação de um pensamento político ou de um ato de voto. Subjacente à ideia de política está a própria ideia de poder de alguém sobre outrem. Esta premissa traz consigo uma responsabilidade grande, quer de quem se propõe a um cargo político, quer daquele que contribui para a eleição. Ora com isto quero dizer que exercer política, no sentido de fazer gozo do poder que esta ação implica, acarreta um nível de responsabilidade que deve ser compatível com grandes qualidades morais e de bem comum.
Dito isto, parece-me fundamental rever o que motiva cada um a propor-se como candidato e/ou o que nos leva à mesa de voto. Em qualquer um dos casos, é necessariamente importante perceber o valor dos direitos humanos, dos princípios basilares da vida, do respeito pela igualdade, da tolerância, do genuíno respeito e apreço pela diferença, do princípio anterior e último da existência humana, da sua defesa e mais do que somente a defesa, da sua promoção e de ações dinamizadoras e criativas em função da proteção de todas as vidas.
Por isso, antes, durante e depois de um ato eleitoral somos chamados a um exercício muito sério, muito urgente, muito centrado no superior interesse da humanidade e na defesa integral da vida.◄