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Com o espaço ao abandono: Juromenha requalifica fortaleza

Foi lançado em Diário da República, pelo Município de Alandroal, o concurso público para a obra de Consolidação e Restauro dos Paramentos do Perímetro Abaluartado Exterior e Cerca Islâmica e Medieval Interior da Fortaleza de Juromenha. Com um valor de mais de 4,5 milhões de euros, o procedimento prevê um prazo de execução de 2 anos.
Em entrevista ao Diário de Notícias, o presidente da Câmara Municipal do Alandroal, João Grilo, projeta Juromenha como “a nova joia do Alentejo”, depois de ter a garantia de que a fortaleza vai ser requalificada numa intervenção que terá a complementaridade do concurso Revive.
João Grilo tem 2 grandes objetivos que passam pela construção de uma ponte habilitada a fazer a ligação rodoviária a Vila Real (Olivença), para pessoas e mercadorias, e colocar na agenda a questão da navegabilidade do rio Guadiana desde a zona de Badajoz até ao paredão do Alqueva.
“Recuperar a fortaleza é só o primeiro passo para uma série de mecanismos que agora vão desenvolver-se. Sei que já há investidores interessados. O desafio é negociar e gerir o que é público e privado no interior da fortaleza”, disse o autarca, na sua entrevista ao Diário de Notícias.
“Sem uma ponte o mundo acaba aqui. Se temos a expectativa de ter visitantes e investidores, temos de contar com os espanhóis e, apesar de só termos cem metros de água a separar as margens, encontramos esta barreira física à aproximação. É inaceitável”, explicou João Grilo. Neste momento, para chegar a Olivença, a população tem de dar a volta por Elvas, ao encontro da Ponte da Ajuda, percorrendo mais de 30 quilómetros.

O município perspetiva a construção de um centro náutico no sopé da escarpa, que contempla uma piscina biológica natural, depois de descartada a construção de uma praia fluvial, devido à qualidade da água do rio Guadiana naquela zona. “A piscina natural é uma solução muito interessante e pouco explorada”, diz João Grilo, que aponta ainda à inclusão de valências dedicadas aos desportos náuticos, restaurante e parque de merendas.”
A reabilitação urbana da aldeia, onde residem cerca de 80 pessoas, surge também na agenda do município de Alandroal, que pretende responder à escassez de habitação que se tem instalado na freguesia.
“Vamos avançar com um loteamento de iniciativa municipal, sobre o qual estamos a trabalhar, num terreno que o município já tem muito bem situado”, revela João Grilo, admitindo que este passo vai alargar a oportunidade a quem quer comprar casa.
A fortaleza de Juromenha foi ponto de defesa e vigia sobre as margens do rio Guadiana mas com o passar dos anos ficou ao abandono e à ruína. ◄

  • Publicado no jornal PALAVRA edição de março 2021