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Considerações sobre cidadania e cidadãos

De acordo, com a Constituição da República Portuguesa (CRP), a definição de cidadania resume-se ao direito a ter uma nacionalidade e TODOS, incluindo estrangeiros e apátridas que residem em território nacional, estão sujeitos ao que está consagrado na mesma, respeitando os princípios da UNIVERSALIDADE e da IGUALDADE.
Em boa verdade, vivemos num ESTADO DE DIREITO em que, grosso modo, os “cidadãos têm direito a ter direitos” cabendo ao estado supervisionar e garantir o cumprimento desses mesmos direitos, não esquecendo, porém, os deveres e obrigações que devem ser cumpridos também por TODOS através da LEI.
Este, já longo, período pandémico veio pôr à prova os cidadãos sobre a sua capacidade de cumprir as regras exigidas e que todos desejamos, temporárias, no entanto, também sabemos que temos de aprender a viver com esta nova realidade! É notório que, relativamente, ao cumprimento de regras que nos foram impostas em prol do combate a este triste e duradouro flagelo, deixamos muito a desejar a justificar-se pelas várias vagas que já vivenciámos associado ao número de contágios e mortes no nosso país!
Só para lembrar os mais distraídos, que, segundo os dados do site worldmeters.com, a 6 de agosto de 2021, somos o país que se encontra em 25º lugar, relativamente, aos casos de Covid-19 por milhão de habitantes, com 96650, quando a média mundial é de 26000 e o 21º lugar quanto ao número de mortes por milhão, com 1916, quando a média mundial é de 550.
Não, não tenho medo da pandemia, tenho vergonha dos cidadãos incumpridores que colocam em causa a minha LIBERDADE! Uma sociedade verdadeiramente livre e civilizada teria no seu ADN, o respeito, a tolerância, a empatia, a cooperação, a responsabilidade, a humildade… e não tem! E por quê?! Porque os incumprimentos falam por si e, infelizmente, são transversais a todos os cidadãos desde o mais rico ao mais pobre, do mais formado ao menos formado, do mais velho ao mais novo. Falo concretamente na ausência de atitudes/comportamentos cívicos, sobretudo, em espaço público, e que nos devem envergonhar a TODOS. Quem ouve, a maioria, dos cidadãos, fica com a sensação de vivermos no paraíso pois é tudo gente boa, com princípios e valores, sapientes sobre tudo, na verdade, gente perfeita! Quando vamos para a rua observar o quotidiano desses mesmos cidadãos, verificamos que tudo não passa de conversa e de pura ilusão porque os factos falam por si! Factos que vão desde festas e festinhas sem regra, praias a abarrotar, ao desrespeito por sinaléticas, ao lixo e à sua má separação, à vandalização de tudo e mais alguma coisa, às regras de trânsito e do estacionamento onde bem calha (inclusive para pessoas com deficiência e/ou incapacidade), ao não saber esperar pela sua vez, ao reclamar por tudo e por nada, … até ao não desejar ao outro um simples, “bom-dia”!
Perante tudo isto, cabe às autoridades judiciais/tribunais e às diferentes forças de segurança, julgar e/ou fiscalizar os cumprimentos ou incumprimentos das leis em prol da ordem e segurança pública.
Viver no Alentejo é um privilégio único! Viver numa pequena e pacata cidade, como Reguengos de Monsaraz, a qual me permite uma excelente qualidade de vida, não tem preço! Mas aquilo que se passou, na noite de 17 de julho de 2021, numa esplanada local, foi simplesmente vergonhoso! A publicação de um vídeo nas redes sociais permitiu que Portugal inteiro assistisse a uma verdadeira batalha campal onde estiveram TODOS mal provando que os EXTREMISMOS, garantidamente, não servem nem a cidadania, nem os cidadãos pois serão sempre mais sinónimo de DIVISÃO do que de UNIÃO! A inércia dos dois agentes de segurança perante aquele acontecimento, foi simplesmente deplorável e extremamente preocupante. DEPLORÁVEL porque os agentes de segurança não honraram a sua farda ao serem incapazes de, pelo menos, manietarem o condutor da viatura, o qual poderia ter provocado a morte a alguns cidadãos por atropelamento e PREOCUPANTE porque se os agentes de segurança são incapazes de fazer cumprir as leis em prol da ordem e paz social, deixamos de viver em DEMOCRACIA, para vivermos numa indesejável ANARQUIA. Como em todas as profissões, existem os capazes, os menos capazes e aqueles que nunca deveriam ter desempenhado a profissão! Pela incompetência de uns, pagamos TODOS e a presença do Corpo de Intervenção na cidade, nos dias seguintes ao sucedido, incomodou a minha LIBERDADE!
Antes de terminar, não posso deixar de falar nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 – até soa mal, estamos em 2021 -, que decorreram de 23 de julho a 8 de agosto, como um bom exemplo de esperança em podermos acreditar num mundo melhor! Unir todas as nações através das várias dezenas de modalidades desportivas é, simplesmente, fantástico porque, e como referiu Thomas Bach, presidente do comité olímpico no discurso da cerimónia de abertura, “Sem solidariedade, não há paz!” Como curiosidade, e como um bom exemplo de respeito entre os povos e o passado dos Jogos Olímpicos, a Grécia é sempre o primeiro país a desfilar. Parabenizo os mais de 11000 atletas, dos 206 países participantes e, sobretudo, os 91 atletas de cidadania portuguesa pelo seu esforço, trabalho e dedicação na conquista dos seus objetivos! Pessoalmente, e não sei explicar, talvez orgulho patriótico, mas quase sempre me comovo quando vejo aquela mulher ou aquele homem no primeiro lugar do pódio e ouço o hino nacional associado ao hastear da nossa bandeira. Os Jogos Olímpicos serão sempre o símbolo da SUPERAÇÃO, individual ou coletiva, em chegar ao topo e, simultaneamente, porque não somos ingénuos, uma óbvia demonstração de poder entre nações.
Termino com uma frase de Confúcio, filósofo chinês que viveu no séc. V a.c., “Se não sabes, aprende, se já sabes, ensina!” porque uma certeza eu tenho, seremos sempre ETERNOS APRENDIZES! Um ótimo e feliz dia para TODOS! ◄

  • Publicado no Jornal PALAVRA, edição de agosto 2021