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Democracia, o menos imperfeito de todos os sistemas

No rescaldo das eleições presidenciais apraz-me constatar que mais de 80% dos eleitores votantes fizeram escolhas que considero sensatas para o destino coletivo do País, as que pessoalmente não considero sensatas aceito-as num espírito democrata até porque são legítimas, porque sufragadas pelo povo através de eleição.
Marcelo Rebelo de Sousa vence em todos os concelhos do país, algo inédito, o que dá credito ao Portugueses em perceberem quais dos candidatos tem melhor perfil para ser uma figura de proa na democracia Portuguesa e para representar Portugal, não apenas num sentido figurado mas de uma forma muito concreta Marcelo é o presidente de (quase) todos os Portugueses.
Acho sempre interessante quando, particularmente em fóruns, como as redes sociais e outros, o Partido Socialista e Marcelo Rebelo de Sousa são apontados a algum enamoramento mutuo, mas o que é facto é que esta relação tem funcionado bastante bem e na minha opinião ajudado o País.


Obviamente que existem várias leituras para essa proximidade, uma delas é que Marcelo sabe que enquanto tiver parte do eleitorado socialista é eleito à primeira volta e por larga margem, sabe também que por muitos defeitos que esta gestão tenha, como aliás todas tiveram e todas terão, não lhe falta iniciativa e vontade de fazer, de construir, foi aliás esta gestão socialista e as suas opções políticas que nos trouxeram de volta a bons e inéditos resultados no défice e que voltou a unir os Portugueses, fazendo esquecer a política do medo, que não ainda à tanto tempo assim, virou o privado contra o publico, os mais novos contra os menos novos, nos retirou a esperança e o horizonte, pediu aos jovens que emigrassem, se fizessem favor e agora em pleno contexto pandémico, são os mesmos que num brutal assomo de amnésia reclamam pelos enfermeiros que deixaram sair massivamente para o sistema de saúde inglês (por exemplo) por não existir a mínima vontade, naquele tempo, de os por cá estimar e por cá manter.
Em suma o atual governo socialista provou que não é necessário cortar e subtrair para obter melhores resultados financeiros, é sim necessário gerar e acrescentar valor, fazer mais e melhor, gerir bem e os resultados aparecem por si, Marcelo é um homem inteligente sabe quem está para destruir e quem está para acrescentar valor.
Uma outra leitura possível é que do ponto de vista estratégico a forma como a Comissão Europeia (que é gerida pela direita Europeia) olha para o nosso país, beneficia-nos, se tivermos um equilíbrio entre esquerda / direita nos dois órgãos mais representativos: Governo e Presidência da Republica, esta questão faz-se mais sentir em assuntos externos, mas, sabemos, atualmente os assuntos externos, nomeadamente europeus, influenciam sobremaneira os internos, ou seja está tudo ligado.


Vamos agora ao elefante na sala ao qual quero dedicar apenas algumas linhas, porque opto por não dar muito tempo de antena, o crescimento do Chega no Alentejo, este crescimento tem no meu ponto de vista uma explicação relativamente simples, este partido dá, de uma forma oportunista diga-se, uma atenção especial ao contexto do mundo rural, onde a tradição, os valores conservadores, a tauromaquia e atividades como a caça andam muitas vezes de mão dada e partilham um espaço comum, o Chega deu, oportunamente (porque apenas em contexto eleitoral), uma atenção que nenhum partido nos tempos recentes tinha dado ao mundo rural.
Acredito que o Alentejo não é, nem nunca será de extrema direita, mas com a sua bonacheirona sabedoria, que por vezes se manifesta de forma misteriosa, deu um aviso à navegação aos partidos tradicionais e em particular ao Partido Socialista: precisam de melhorar, precisam de evoluir. ◄

 

  • Publicado no jornal PALAVRA, na edição de fevereiro 2021