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Editorial Setembro 2021

As Fake News
Fake news é uma expressão inglesa que tem assumido grande protagonismo nos últimos anos, sobretudo com o acesso generalizado às redes sociais e com o papel que estas assumiram na fácil e rápida divulgação da comunicação e informação em todos os níveis sociais. Com este termo pretende dizer-se que uma determinada informação é falsa e, portanto, não se lhe deve dar crédito.
Ao contrário do que se possa pensar, este termo é já muito antigo, usado desde os finais do século XIX, exatamente para denunciar a divulgação de informação propositadamente incorreta, falsa ou que pretende esconder a verdade ou parte dela.
Recentemente, o termo fake news ganhou importância a partir da campanha eleitoral norte americana, que terminou com a eleição de Donald Trump. As notícias falsas têm sido fabricadas a propósito dos mais variados assuntos e com os mais diversos interesses. Na sua base surge a ideia de criar uma situação falsa suscetível de ganhar algum tipo de vantagem, geralmente económica. No entanto, elas versam sobre assuntos que vão desde a política à religião, passando pela saúde, como se tem visto neste tempo de pandemia, e pela segurança, entre muitos outros, chegando mesmo a atingir a vida privada de figuras públicas e não só. Perante estas notícias corre-se o risco de julgar e condenar pessoas e instituições com base numa mentira. Há gente interessada neste tipo de comunicação e há agências que se dedicam a fabricar notícias à medida do cliente.
As falsas notícias sempre existiram. Mentiras, ou como se gosta de dizer hoje, as “inverdades”, as meias verdades e as pequenas falsidades existiram sempre. Hoje, porém, a situação agrava-se com as redes sociais porque elas facilitam a chegada destas notícias a todos os cantos do mundo e induzem os mais incautos a acreditar numa mentira como se fosse verdade. São, de facto, um perigo as fake news.
Do mesmo modo que existem fake news existem também pessoas hábeis que, perante uma notícia verdadeira que as incomoda ou que as lesa de alguma forma, temendo assumir a verdade da notícia e as suas consequências, apressam-se a classificar estas notícias verdadeiras precisamente como fake news e fazem-no também nas redes sociais para que, se possível, esta classificação chegue primeiro que a notícia.
Tem isto a ver com o facto de o Jornal PALAVRA, no seu site jornalpalavra.pt, ter publicado uma notícia intitulada “Coordenador da USF demite-se e obras do Centro de Saúde de Reguengos podem não se realizar”. Imediatamente houve quem se apressasse a classificar esta notícia como fake news. Esquece-se quem assim classificou o trabalho da redação do PALAVRA que, “tudo o que PALAVRA publica é verdade”, como sempre entendeu o comendador Víctor Martelo que soube, durante um longo mandato à frente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, conviver com a imprensa local, mesmo quando alguma notícia lhe tocava mais de perto. O seu fair play, o seu savoir faire, a sua performance política moldada pelos anos e a sua segurança face ao eleitorado que sempre o elegeu, deu-lhe a capacidade de aceitar críticas, opiniões e suportar com nível as notícias que relatavam os seus insucessos, erros e fragilidades, como todos temos. Bem sabemos que isto não é para todos.
Vale a pena questionar a notícia “Coordenador da USF demite-se e obras do Centro de Saúde de Reguengos podem não se realizar”. É mentira que o Coordenador da USF se demitiu? É mentira que há atualmente falta de médicos no Centro de Saúde de Reguengos de Monsaraz? É mentira que o ar condicionado do Centro de Saúde está avariado e são usados aparelhos portáteis que não fazem a extração do calor para o exterior? É mentira que estava previsto que o Centro de Saúde funcionasse, a partir do mês de julho, nos Pavilhões do Parque de Feiras para se realizarem as obras de requalificação? É mentira que as obras previstas tinham como objetivo a requalificação do edifício para receber o Serviço de Urgência Básica (SUB)? É mentira que as obras ainda não começaram? É mentira que a realização das obras previstas está em causa? É mentira que as obras, a acontecerem, não terão a totalidade de requalificação prevista na última informação oficial? Então PODEM não se realizar na plenitude do projeto inicialmente previsto! Onde está a fake news?
As obras de requalificação do Centro de Saúde de Reguengos de Monsaraz foram anunciadas muitas vezes. No entanto, cada vez que se anuncia a realização da obra estão em causa intenções, objetivos e verbas diferentes e até ao momento ainda nada foi feito.
Depois da nossa notícia chegou-nos a informação de que as obras vão começar em breve. Este breve significa o quê? E que obras vão ser feitas? As que foram noticiadas em dezembro de 2018, as noticiadas em novembro de 2019 ou as previstas no procedimento n.º 800/2021 emitido pela Administração Regional de Saúde do Alentejo em 22/01/2021? Ou são apenas pequenas reparações para tapar os olhos aos reguenguenses?
As fake news não são do jornal PALAVRA. As fake news são de quem não quer assumir que há dificuldades na execução da obra, seja porque não há dinheiro ou porque os concursos ficam vazios ou por qualquer outra razão e as razões podem ser todas justificáveis se assumidas.
PALAVRA faz um trabalho sério. Podemos errar ou cometer imprecisões, mas não o fazemos de má fé. Quando falhamos assumimos sempre os erros cometidos e pedimos desculpa, aceitamos que nos chamem a atenção e damos espaço para que se pronuncie quem se sente lesado, mas não fabricamos notícias falsas. Não admitimos que apelidem de fake news o trabalho que fazemos porque não temos outro interesse que o de formar, informar e esclarecer. Não somos movidos por outros interesses, porque somos honestos nos critérios que usamos para noticiar. Se as obras de requalificação vão mesmo acontecer agora e na sua plenitude, então são ótimas notícias para todos!
Fake news é outra coisa e tem outros propósitos muito distantes do nosso propósito.

Eleições Autárquicas
De acordo com o Mapa Calendário para as Eleições Autárquicas, amanhã, dia 14 de setembro começa oficialmente a campanha eleitoral. Nos últimos meses, por todo o país e Reguengos de Monsaraz não é exceção, os partidos políticos e movimentos espontâneos de cidadãos têm vindo a apresentar os seus candidatos para que os eleitores conheçam o rosto dos candidatos aos diversos órgãos autárquicos.
Os eleitores do concelho de Reguengos de Monsaraz podem escolher entre quatro partidos para a Câmara Municipal e para a maioria das freguesias e entre cinco partidos na União de Freguesias de Campo e Campinho. A escolha está entre “Reguengos no coração” do Partido Socialista com Manuel Janeiro à frente, “Mais pelas pessoas” do Partido Social Democrata com Marta Prates como cabeça de lista, a CDU que apresenta António Colaço como candidato à presidência da Câmara e o Partido CHEGA que quer estar “Presente por toda a gente” representado por João Gonçalves. Na União de Freguesias de Campo e Campinho para além dos candidatos destes partidos apresenta-se ainda um movimento cívico pelo partido Nós Cidadãos encabeçado por Francisco Balancho.
Em notícia que demos na edição de agosto referíamos que a abstenção é decisiva. De facto, dávamos nota nessa notícia do aumento contínuo e sistemático da abstenção no concelho de Reguengos de Monsaraz, a reboque do que se tem verificado igualmente em todo o país.
A pré-campanha, que agora termina, tem mostrado a participação dos jovens em todas as candidaturas. É um sinal positivo que os partidos políticos e os movimentos cívicos com representação no concelho, assim como os candidatos, tenham a preocupação de reunir os jovens e de os inserir nos trabalhos de campanha e nas listas aos diversos órgãos autárquicos. É desta participação que nasce a vontade de intervir na causa pública e daí nasce o desejo de adquirir as competências necessárias para agir com qualidade, eficácia e competência.
Estas eleições podem muito bem ser um ponto de viragem na participação dos reguenguenses nas eleições, contrariando a tendência de crescimento da abstenção, independentemente da orientação do voto de cada um. Foi tão difícil conquistar a liberdade de votar que até parece mal desperdiçar esta oportunidade de exercer o direito que muitos homens e sobretudo mulheres, ainda hoje, estão impedidos de realizar.
Independentemente de quem ganhe as eleições, em Reguengos de Monsaraz a vitória pode muito bem ser a vitória da participação sobre a abstenção.◄

  • Publicado no Jornal PALAVRA, edição de setembro 2021