jornalpalavra

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O retratista

O retratista

Pelos jardins da penitência
Balbucias a paciência
Monólogo existencial
Pelos terreiros da espera
És ave sem primavera
Voando ocasional

Numa andança corrida
Tiras o retrato à vida
Sempre em modo criativo
No dilema de existir
Mesmo que seja a fingir
És um nómada positivo

Viajas pelas aldeias
Cheias de velhas teias
Enquanto o vento lamúria
Cobras dez-réis de nada
Comes a côdea amassada
Em sorrisos de penúria

Quando dizes ao freguês
Sorria … mais uma vez
É apenas um instante
Estás a tirar a medida
Ao retrato que é a vida
Pelo descaminho ambulante