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Os Estudos do Futuro

Os estudos prospetivos, a atitude e a análise prospetiva estão em clara ascensão em trabalho feito e reconhecimento por essa Europa fora, estou, com um pequeno grupo de académicos a tentar que a Universidade de Évora não perca o caráter, pioneiro em Portugal, no âmbito da análise prospetiva com especial enfase na escola francesa de prospetiva, La Prospetive, queremos divulgar, disseminar e acima de tudo não perder um comboio que começou nos últimos anos a andar bem mais depressa, para além de outras iniciativas previstas, organizaremos um seminário em Maio, em Évora, sobre o tema.
Em Portugal e nomeadamente no seio da administração pública foi criado nos últimos anos a PlanApp – Centro de Competências de Planeamento, de Políticas e Prospetiva que “tem como missão apoiar a definição de linhas estratégicas, prioridades e objetivos das políticas públicas, acompanhando e reforçando cada uma das suas fases – planeamento, desenho, adoção e implementação, monitorização e avaliação” como consta no seu manifesto, já não somos (nunca fomos…) meia dúzia de “sonhadores” a falar e a escrever sobre algo que ninguém compreendia muito bem o que era, na Comissão Europeia a análise Prospetiva e particularmente a análise das macrotendências já são o “pão com manteiga” do dia a dia e já justifica uma vice presidência, a de Maros Sefcovic, que tem como principal missão introduzir os métodos e a análise prospetiva nos trabalhos da Comissão Europeia.
Mas mais importante do que todas estas demonstrações de vitalidade é a operacionalização destes métodos nas nossas empresas e entidades e nesse campo ainda existe muita pedra por partir, no entanto e apenas ao sabor da pena e do momento, posso dar os seguintes exemplos:
Não seria importante, por exemplo, as entidades públicas, ligadas ao emprego, terem acesso a uma ideia mais ou menos clara da evolução das profissões nesta década? E de quais as profissões do futuro, para que se preparassem e para quais começassem desde já a formar?
Não seria importante analisar e observar a realidade de, por exemplo, uma cooperativa vinícola, poder mudar? Ter um cada vez menor número de sócios ou de, por exemplo o azeite se afirmar como o verdadeiro produto distintivo do Alentejo e destronando o vinho, que oportunidades e ameaças se escondem se isso acontecer?
Não faria sentido uma edilidade ter um plano a médio/ longo prazo de desenvolvimento de um território, bem estruturado e alicerçado e constantemente revisitado, que existisse para lá dos ciclos, alterações políticas e da espuma dos dias?
É este salto que falta fazer e completar, cá estaremos para, à nossa escala, e com realismo contribuir para ele!
Um excelente 2023 a todos!◄

  • Publicado no Jornal PALAVRA, edição de janeiro 2023

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