jornalpalavra

jornalpalavra

Sem retorno

SEM RETORNO

Ao cantar do rouxinol
Liguei o girassol
No seu âmbar outonal
Pela várzea do sonho
Arrebol que transponho
Em escarlate plural
Pelos povoados brancos
Semeando encantos
Pelo trino da voz
Crepúsculo de alarde
Que à mesa da tarde
Tem lugar para nós
Pelo xadrez dos arbustos
Tabuleiro de olhares justos
Ao canto das horas calmas
A noite morde-nos a pele
Em ternura carrossel
Pelo polígono das almas
Somos aves sem retorno
Voando pelo céu morno
Que o outono atribuiu
Ao azul esmaltado
Que fervia no passado
Ao sol que nos fugiu
Já não canta o rouxinol
Esmorceu o girassol
Do então que a vida era
E nós que somos diversos
Já não cabemos nos versos
Duma outra Primavera

  • Publicado no Jornal PALAVRA, edição de outubro 2021